13/01/2019


Trilhas do Trigo


Alimento ancestral, há mais de 10 mil anos o trigo foi domesticado, ou ajudou a nos domesticar, como citou Yuval Harari em Sapiens. A gramínea surgida no atual Oriente Médio, entre os rios Tigre (Tigris) e Eufrates, que nascem na Turquia, passam pela Síria e Iraque onde se unem para formar o Shatt al-Arabe e desaguar no Golfo Pérsico, foi espalhada pelo mundo a partir da Revolução Agrícola.

O homem primitivo, nômade, coletor-caçador, seguiu as Trilhas do Trigo em busca de alimento e aprendeu com ele que poderia cultivá-lo, talvez querendo reduzir as incertezas do acesso à comida. Antes da agricultura o homem coletava o trigo, moía de forma rudimentar, esmagando com pedras e já dominava o fogo. Quando percebemos os ciclos das plantas, passar a semear os grãos que sobravam, esperando uma nova colheita, parece ter sido uma opção confortável para garantir o pão ancestral.

Não seria, portanto, exagero dizer que as Trilhas do Trigo nos trouxeram até aqui. Dez milênios de cumplicidade tornaram o trigo o mais importante dos cereais. Afinal, são mais de 220 milhões de hectares espalhados pelo mundo, produzindo mais de 750 milhões de toneladas, crescentes, anualmente.

Da antiga Mesopotâmia (região entre rios) criamos novas Trilhas do Trigo nas mais diversas regiões do globo, do Egito antigo à contemporânea Oceania, da Eurásia às Américas. E nas trilhas que seguimos com o trigo vamos aprendendo, criando e compartilhando conhecimentos, da segurança alimentar ao prazer de comidas de textura e sabores únicos, apreciados e aprimorados desde as memórias mais ancestrais.

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